
Reserva
«É a possibilidade de nos recusarmos ou dosearmos a partilha com outros.»
«Daqui até Sines, manhã cedo, é um instante. Um cigarro de caminho, menina!»
Garantiu o senhor Jesuíno.
Para que a actividade piscatória fosse assegurada, a natureza abriu uma enseada.
Terminada a faina, aí regressam as embarcações a resguardarem-se de mares violentos e, muitas vezes, malignos, tamanha é a fúria e cega a ferocidade.
Os pescadores chamaram-lhe Entrada da Barca.
Nós, os consumidores, compramos os sargos na Zambujeira.
Divinais.
À saída do grelhador são inigualáveis.
Do alto da falésia, à Entrada da Barca, com a vastidão do oceano e o horizonte, ocupo uma casa com arrendamento Setembro a Junho.
Estou confortável e poderei sonhar, tão magnífico e fulgurante é o enquadramento.
A Dulce e a Marta convidaram-me para almoçar em Porto Covo.
Pedi-lhes que viessem até aqui, à Entrada da Barca, ao «Sacas».
«Ok, Sofia. Marca mesa. Estaremos aí por volta das 13H.»
Querem saber de mim.
A súbita saída de Lisboa, por razões profissionais, não as convenceu.
Eu não podia recusar o convite.
Quero que o Raul esteja presente.
E esteve.
A conversa nunca foi além dos interesses dos quatro.
À noitinha, a sós com o Raul, passei-lhe um papelinho com um poema da Luísa Dacosta
«Sempre que estiveres longe e te lembrares de mim, lê este poema, Raul»
«Tentativa
Uma flor de silêncio/ sela a minha boca./ Um peso de chumbo/ aprisiona os meus gestos./ Só o voo dos meus olhos/ te persegue/ e tenta/ trazer-te até mim.»
«Intimidade
É a garantia de que a partilha emocional
próxima se mantém oculta de terceiros»
Não será desenvolvido.
Para que a Sofia veja consagrado
o Direito De Ser Deixada Em Paz.
É a garantia de que a partilha emocional
próxima se mantém oculta de terceiros»
Não será desenvolvido.
Para que a Sofia veja consagrado
o Direito De Ser Deixada Em Paz.
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(3º/3)
Em 29 de Janeiro, Pedro Mexia assinou no Público um artigo sobre «Privacy And Freedom» definindo 4 aspectos.
Com base neles, termino o desenvolvimento do tema.

Olá
ResponderEliminarLiberdade só existe, respeitando-se a privacidade.
E...leste o poema na tua "privacidade", sentindo a vossa "intimidade"...
Bjs.
O direito à intimidade é fundamental. E muito mal preservado, às vezes pelos próprios.
ResponderEliminarBjs
Nada me encanta mais que a reserva! É um direito absoluto que ninguém me arranca...tenho para mim que me tem ajudado a criar «espaço», até no trabalho. Digo sempre o que penso, mas no momento que quero e isso sei que é bom. Também sei que perturba os outros e confesso, já tenho usado essa forma de ser como «arma»...
ResponderEliminarSó tu JPD, para me levares a confessar isto...porque quero.
A tua sequência tem sido fantástica.
BJ
Porto Covo é uma das minhas memórias mais bonitas assim como Vila Nova de Milfony«tes e Cercal, mas quando os descobrihá dezem«´nas de anos.
ResponderEliminarUm abraço.
Os sítios ganham vida, cheiro e cor!
ResponderEliminarA intimidade preservada acaricia-nos a curiosidade!
É o que dá escrever tão bem!
Um abraço
Isso! E a reserva, em si mesma, pode ser uma 'entrada da barca', um porto seguro... ainda que preservá-la imponha por vezes sacrifícios. A barreira que se interpõe entre nós e os outros é bidireccional; limita, frequentemente, um certo tipo de reciprocidade. Por um lado, evita-se a 'fuga de informação' e, por outro, inibe-se a recepção. E há ainda a auto-inibição, aquela que impede a expressão, os gestos, as manifestações... e nos cinge, unicamente, ao olhar. Ainda assim, tenho para mim que se nos dispomos a tanto, é porque o que para nós reservamos é suficientemente precioso e merecedor de sacrifícios.
ResponderEliminarUm abraço e a subscrição do direito de reserva que assiste à Sofia :)
O direito de reserva, a intimidade... um bem, uma arma. O segredo é saber usar, senão...
ResponderEliminarExcelentes os desenvolvimentos do tema. Parabéns JPD.
Abraço
É um direito fundamental, o direito de ser deixado em paz...e como diz o poema, uma flor de silêncio pode ser o sinal desse direito!
ResponderEliminargostei muito de fazer esta leitura antes de fim-de-semana, duarte. um beijinho com muita paz!
ResponderEliminarSe fruto de vontade própria, a reserva pode ser uma forma de liberdade e de respeito por aquilo que, para nós, deve manter a inviolabilidade. Todavia, se reconhecida pelo próprio enquanto barreira inultrapassável pode muito bem constituir um "peso de chumbo".
ResponderEliminarGostei muito desta ideia de reserva associada do doseamento da partilha, uma aprendizagem por vezes exigente. Da sua narrativa gostei ainda mais. Os meus parabéns!
As palavras às vezes não chegam para exprimir o que se pensa da tríade: solidão, do anonimato e da reserva.
ResponderEliminarGostei!
ResponderEliminaruma flor de silêncio quebrada para dizer o quanto gostei
ResponderEliminarbeijo
Há momentos que não gostamos de partilhar; outros que gostamos de partilhar...Como em tudo, a dose certa é essencial...
ResponderEliminarObrigada pela visita...Se quiseres conhecer o Simão e pormenores sobre a festa da Isabelinha, passa pelo Minha Página...
Beijos e abraços
Marta
Passei para dizer olá!
ResponderEliminar(ainda o Norte de África: não amigo, não o creio e isso é que me perturba e me faz pensar!)
ResponderEliminarbj
eu gosto de imaginar o vento me levando ao sul de mim...
ResponderEliminarbjs
Insana
Por vezes o silêncio fala
ResponderEliminarÉ preciso que se cale
Bom ao correr da pena
Ficar na reserva faz-me lembrar a tropa, o exército... Nunca soube bem como funcionava, mas acho que era qualquer coisa do género "agora não precisamos mais de ti, podes fazer o que quiseres, mas ficas sujeito a ser chamado para prestar serviço a qualquer momento"...
ResponderEliminarAcho que não gosto de estar na reserva!...
Nada mais natural que nos reservarmos e preservarmo-nos para quem bem entendermos...É um direito inalienável.
ResponderEliminarBeijo