«Sôtor, ando aflito: esqueço-me de tudo... Por exemplo: estou na sala. Apetece-me beber água. Levanto-me. Chegado à cozinha, sou incapaz de me lembrar o que lá fui fazer...»
«Hum»
«O que me está a acontecer, Sôtor?»
«Quando é que isso começou?»
«Começou... O quê, Sôtor?»
_________
Citação #6.
«Resgate
A memória,
luz indecisa,
ignora ainda
o que deve
iluminar.»
#
«Torneio de xadrez
Ao carregar no relógio,
o meu tempo parava.
Nunca voltei a sentir
tamanho poder.»
In:
«EFEITO BORBOLETA E OUTRAS HISTÓRIAS»(*)
José Mário Silva
(Colecção «Frente&Verso» da VISÃO)
#
«É sempre no presente que
se conjuga o esquecimento.
Para que a dupla
memória/esquecimento
contribua para
o livre e pleno emprego do tempo.»
In:
«As Formas do Esquecimento»
Marc Augé
Iman Edições
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(*)
Recomendo este livrinho.
Tem histórias maravilhosas.
Um capítulo de
«Really Short Story» e
«38 Miniaturas»
é de se lhe tirar o chapéu.
(Custa €0,50 Imaginem!)
santo agostinho, nas "confissões", refere:
ResponderEliminar"não há dúvida que a memória é como o ventre da alma. a alegria, porém, e a tristeza são o seu alimento, doce ou amargo. quando tais emoções se confiam à memória, podem ali encerrar-se depois de terem passado, por assim dizer, para esse estômago; mas não podem ter sabor".
(ter-se-ia esquecido de algo mais?)
que bacanaaa!!
ResponderEliminar=D
http://zonzobulando.blogspot.com/
Olá
ResponderEliminarUm tema para reflectir.
Há a memória "esquecida" que procuramos recordar, pois no "fundo" ainda restam luzes.
Há o esquecimento/silêncio que nos deixa nas "trevas".
As citações que tens ao lado estão certíssimas.
Bjs.
A perda de memória é algo que me aflige e que me parece trágico.
ResponderEliminarUm abraço
Comungo da mesma preocupação do comentário anterior.
ResponderEliminarExcelentes sugestões e citações .
bjos
A perda progressiva de memória é tão dramática como irónica a estória que nos contas.
ResponderEliminarObrigada pela sugestão do livro. Vou procurá-lo
Seguir voce em seus passeios pela leitura é um deleite JPD
ResponderEliminarrecuso-me a conjugar o verbo "esquecer" ,ainda vou indo mais eficiente no mais vivo o que diz I love you no presente mesmo rsrs
Ilumina-me Senhor! rs
adorei as indicações , sempre precisas
deixo como de costume o abraço grande
Ah... a memória último dos meus instrumentos de trabalho! E se ela falhar?!
ResponderEliminarAlguns velhos conhecidos do meu mundo de infância morreram sem memória e os seus vultos vazios ficaram para sempre comigo...
Beijo
A "Memória indecisa"...Como seleccionar as memórias, apagar ou mantê-las vivas?
ResponderEliminarComo eu gostava de ter o "poder de parar o tempo".
Original «comme d'habitude»!
Memórias / esquecimentos... Há que estimular os neurónios enquanto se pode...combater a deterioração cognitiva associada ao envelhecimento...de que forma? Decorar listas, mudar de posição certos conceitos e ordená-los por outra ordem alfabética...(Estações do ano...)
ResponderEliminarReter epsisódios..Tomar nota de um e passada uma semana recordar de novo e voltar a escrever e depois comprar...
Fazer associações ...substituir as palavras que formam o nome de uma rua por um símbolo ...
ou imaginar uma linha oblíqua que atravessa o espaço onde nos encontramos ,depois é fechar os olhos e tentar recodá-la mentalmente assim como os objectos que a mesma atravessa...
Beijo
O sem memória... aflitivo!
ResponderEliminarNão se é nada sem passado, sem referências presentes "há" uma não vida.
Abraço, JPD
(muito interessantes as indicações e a sugestão do livro)
Ainda hoje ouvi uma jovem queixar-se deste problema:esquecimento. Foi ao médico e receitaram-lhe antidepressivos. É verdade imagina o problema que ela terá daqui a uns dias. Que terá uma coisa a ver com a outra? Nada. Ela o que precisa é de descanso, esquece-se porque anda cansada. Enfim...modas
ResponderEliminarA perda da memória é trágica e sei-o muito bem, pois o meu Pai não se lembra do dia da semana, se é noite ou dia, do meu nome, se está a almoçar ou a jantar....
ResponderEliminarInteressante como sempre...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta
A paródia que narras é muito frequente (eu que o diga!). Como já referiram alguns dos teus comentadores, a memória deve ser exercitada (eu é que sempre detestei exercício) e a perda progressiva dela, seja por senilidade ou por outro qualquer motivo, é dramática.
ResponderEliminarUma amiga minha, no outro dia, foi ao médico porque se andava a esquecer muito das coisas. No dia seguinte, ao contar-me como tinha corrido, é que se lembrou que se tinha esquecido de dizer que se esquecia das coisas. Isto foi verídico e com aquela mulher, coisas destas não são as mais maradas que lhe acontecem...
As tuas sugestões de leitura, ou melhor, aquela sugestão especial seduz-me!
Olá, boa noite!
ResponderEliminarPassei para ler as novidades.
Deixo cordiais saudações.
Caro JPD,
ResponderEliminarDa memória ocorrem-me inúmeras asserções (a começar por se tratar do tema da minha tese de doutoramento...). A primeira de todas, é a de que uma das certezas científicas em torno da memória reside no carácter falível da mesma. Daí a impossibilidade de indissociar a memória do esquecimento (como tão bem replicas no teu título). Daí, também, as dificuldades de assentar deliberações judiciais unicamente em provas testemunhais, daí a natureza reconstrutiva das memórias que julgamos serem cópias fiéis de acontecimentos passados, etc, etc, etc.
Literariamente falando, deixo a sugestão de um outro livrinho maravilhoso, que provavelmente conheces: 'de profundis, valsa lenta', onde José Cardoso Pires descreve a experiência (quase dissociativa) que se seguiu ao primeiro AVC que teve.
Um abraço sempre retemperado pela passagem por aqui :)
"Objecto" precioso e tão frágil, a memória! A que só se dá valor quando ela começa a gastar-se...
ResponderEliminarVou aceitar as sugestões de leitura, obrigada!
Tenho medo de perder a memória...
ResponderEliminarCerto dia, vi a entrevista de uma mulher que fora vítima de um AVC fulminante, que lhe roubara todas as memórias. Inacreditavelmente, a mulher referia que, durante um certo tempo, se sentira muito feliz. Mas depois sobreveio a ausência. A sensação de perda de toda uma vida...
ResponderEliminarO seu post fez-me lembrar a lenda do rio Lethes, que me atrevo a convidá-lo a ler: http://etnografiacircunstancia.blogspot.com/2009/07/rio-do-esquecimento.html
Um bom Domingo!
Bom Carnaval!!!
ResponderEliminarBjs
Convém aceitar a sugestão de leitura, convém, que a minha memória anda a fazer birras...
ResponderEliminarUm tema muito sério que merece a nossa reflexão sobretudo agora que nos apercebemos que tantas pessoas vivem no silêncio da memória.
ResponderEliminarBem-haja!
Abraço fraterno
Cinquenta cêntimos... a avaliar pelo que escreveste, vale bem mais!
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