Quarta-feira, 2 de Março de 2011

MEMÓRIA/ESQUECIMENTO

Na consulta de Clínica Geral.
«Sôtor, ando aflito: esqueço-me de tudo... Por exemplo: estou na sala. Apetece-me beber água. Levanto-me. Chegado à cozinha, sou incapaz de me lembrar o que lá fui fazer...»
«Hum»
«O que me está a acontecer, Sôtor?»
«Quando é que isso começou?»
«Começou... O quê, Sôtor?»
_________
Citação #6.

«Resgate

A memória,
luz indecisa,
ignora ainda
o que deve
iluminar.»

#

«Torneio de xadrez

Ao carregar no relógio,
o meu tempo parava.
Nunca voltei a sentir
tamanho poder.»

In:
«EFEITO BORBOLETA E OUTRAS HISTÓRIAS»(*)
José Mário Silva
(Colecção «Frente&Verso» da VISÃO)


#

«É sempre no presente que
se conjuga o esquecimento.
Para que a dupla
memória/esquecimento
contribua para
o livre e pleno emprego do tempo.»

In:
«As Formas do Esquecimento»
Marc Augé
Iman Edições
___________________
(*)
Recomendo este livrinho.
Tem histórias maravilhosas.
Um capítulo de
«Really Short Story»
e
«
38 Miniaturas»
é de se lhe tirar o chapéu.
(Custa €0,50 Imaginem!)


23 comentários:

  1. santo agostinho, nas "confissões", refere:

    "não há dúvida que a memória é como o ventre da alma. a alegria, porém, e a tristeza são o seu alimento, doce ou amargo. quando tais emoções se confiam à memória, podem ali encerrar-se depois de terem passado, por assim dizer, para esse estômago; mas não podem ter sabor".

    (ter-se-ia esquecido de algo mais?)

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  2. que bacanaaa!!
    =D
    http://zonzobulando.blogspot.com/

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  3. Olá

    Um tema para reflectir.

    Há a memória "esquecida" que procuramos recordar, pois no "fundo" ainda restam luzes.

    Há o esquecimento/silêncio que nos deixa nas "trevas".

    As citações que tens ao lado estão certíssimas.

    Bjs.

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  4. A perda de memória é algo que me aflige e que me parece trágico.

    Um abraço

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  5. Comungo da mesma preocupação do comentário anterior.
    Excelentes sugestões e citações .

    bjos

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  6. A perda progressiva de memória é tão dramática como irónica a estória que nos contas.
    Obrigada pela sugestão do livro. Vou procurá-lo

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  7. Seguir voce em seus passeios pela leitura é um deleite JPD
    recuso-me a conjugar o verbo "esquecer" ,ainda vou indo mais eficiente no mais vivo o que diz I love you no presente mesmo rsrs
    Ilumina-me Senhor! rs
    adorei as indicações , sempre precisas
    deixo como de costume o abraço grande

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  8. Ah... a memória último dos meus instrumentos de trabalho! E se ela falhar?!
    Alguns velhos conhecidos do meu mundo de infância morreram sem memória e os seus vultos vazios ficaram para sempre comigo...
    Beijo

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  9. A "Memória indecisa"...Como seleccionar as memórias, apagar ou mantê-las vivas?

    Como eu gostava de ter o "poder de parar o tempo".

    Original «comme d'habitude»!

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  10. Memórias / esquecimentos... Há que estimular os neurónios enquanto se pode...combater a deterioração cognitiva associada ao envelhecimento...de que forma? Decorar listas, mudar de posição certos conceitos e ordená-los por outra ordem alfabética...(Estações do ano...)
    Reter epsisódios..Tomar nota de um e passada uma semana recordar de novo e voltar a escrever e depois comprar...
    Fazer associações ...substituir as palavras que formam o nome de uma rua por um símbolo ...
    ou imaginar uma linha oblíqua que atravessa o espaço onde nos encontramos ,depois é fechar os olhos e tentar recodá-la mentalmente assim como os objectos que a mesma atravessa...

    Beijo

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  11. O sem memória... aflitivo!
    Não se é nada sem passado, sem referências presentes "há" uma não vida.

    Abraço, JPD
    (muito interessantes as indicações e a sugestão do livro)

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  12. Ainda hoje ouvi uma jovem queixar-se deste problema:esquecimento. Foi ao médico e receitaram-lhe antidepressivos. É verdade imagina o problema que ela terá daqui a uns dias. Que terá uma coisa a ver com a outra? Nada. Ela o que precisa é de descanso, esquece-se porque anda cansada. Enfim...modas

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  13. A perda da memória é trágica e sei-o muito bem, pois o meu Pai não se lembra do dia da semana, se é noite ou dia, do meu nome, se está a almoçar ou a jantar....
    Interessante como sempre...
    Obrigada pela visita
    Beijos e abraços
    Marta

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  14. A paródia que narras é muito frequente (eu que o diga!). Como já referiram alguns dos teus comentadores, a memória deve ser exercitada (eu é que sempre detestei exercício) e a perda progressiva dela, seja por senilidade ou por outro qualquer motivo, é dramática.
    Uma amiga minha, no outro dia, foi ao médico porque se andava a esquecer muito das coisas. No dia seguinte, ao contar-me como tinha corrido, é que se lembrou que se tinha esquecido de dizer que se esquecia das coisas. Isto foi verídico e com aquela mulher, coisas destas não são as mais maradas que lhe acontecem...
    As tuas sugestões de leitura, ou melhor, aquela sugestão especial seduz-me!

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  15. Olá, boa noite!

    Passei para ler as novidades.

    Deixo cordiais saudações.

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  16. Caro JPD,
    Da memória ocorrem-me inúmeras asserções (a começar por se tratar do tema da minha tese de doutoramento...). A primeira de todas, é a de que uma das certezas científicas em torno da memória reside no carácter falível da mesma. Daí a impossibilidade de indissociar a memória do esquecimento (como tão bem replicas no teu título). Daí, também, as dificuldades de assentar deliberações judiciais unicamente em provas testemunhais, daí a natureza reconstrutiva das memórias que julgamos serem cópias fiéis de acontecimentos passados, etc, etc, etc.
    Literariamente falando, deixo a sugestão de um outro livrinho maravilhoso, que provavelmente conheces: 'de profundis, valsa lenta', onde José Cardoso Pires descreve a experiência (quase dissociativa) que se seguiu ao primeiro AVC que teve.
    Um abraço sempre retemperado pela passagem por aqui :)

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  17. "Objecto" precioso e tão frágil, a memória! A que só se dá valor quando ela começa a gastar-se...
    Vou aceitar as sugestões de leitura, obrigada!

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  18. Tenho medo de perder a memória...

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  19. Certo dia, vi a entrevista de uma mulher que fora vítima de um AVC fulminante, que lhe roubara todas as memórias. Inacreditavelmente, a mulher referia que, durante um certo tempo, se sentira muito feliz. Mas depois sobreveio a ausência. A sensação de perda de toda uma vida...
    O seu post fez-me lembrar a lenda do rio Lethes, que me atrevo a convidá-lo a ler: http://etnografiacircunstancia.blogspot.com/2009/07/rio-do-esquecimento.html

    Um bom Domingo!

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  20. Convém aceitar a sugestão de leitura, convém, que a minha memória anda a fazer birras...

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  21. Um tema muito sério que merece a nossa reflexão sobretudo agora que nos apercebemos que tantas pessoas vivem no silêncio da memória.

    Bem-haja!

    Abraço fraterno

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  22. Cinquenta cêntimos... a avaliar pelo que escreveste, vale bem mais!

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