Quarta-feira, 9 de Março de 2011

TORRES DE RELÓGIOS

(Relógio Astronómico - Praga)

Sabe tão bem,

manhã cedo,

ao pequeno almoço,

uma madalena


Não para

«
Em Busca do Tempo Perdido»
Sequer para

«
O Tempo Reeencontrado»
(Proust)




(Zytglogge - Berna)

Medir o tempo é estabelecer uma cronologia.

A principal característica do tempo é a irreversibilidade:


Provoca o lamento dos poetas;
Faz vibrar o aceno fúnebro do «Nunca mais.»;

Dá às coisas que nunca veremos duas vezes essa extrema acuidade da volúpia e de dor onde o absoluto do ser e do nada parecem aproximar-se, até confundir-se;

Prova que a vida vale de uma vez por todas.



(Relógio de São Marcos - Veneza)

Três dimensões do tempo:

- Um presente relativo ao passado:
Memória;
- Um presente relativo ao presente: Percepção;
- Um presente relativo ao futuro: Expectativa.
(
Vidé: «Confissões» Santo Agostinho Livro XI Pgs 297 a 315 da INCA)

Enquanto nós podemos agir sobre o espaço, através da rapidez incessantemente acrescida dos meios de transporte, não podemos agir sobre o tempo.

O espaço é o sinal do nosso poder;
O tempo é o sinal da nossa impotência.


A estrutura temporal da nossa experiência é tão constrangedora que o homem sempre sonhou libertar-se dela e o desejo de eternidade se exprime em quase todas as religiões e no comportamento do homem, que procura sobreviver a si próprio através das suas obras ou dos seus filhos.
»

#

Ando cansado. É verdade. Todas as manhãs, cinco dias por semana, levanto-me às 6H00.

Deito-me tarde. Durmo pouco mais do que cinco horas. Devia dormir oito.

Não consigo organizar-me.

Solução de um amigo:

«Um ovo!»

«O quê?»

«Um ovo de Colombo!»

«Hum...»

«Ligas o despertador para te levantares?

«Sim!»

«Faz o mesmo para te deitares!»

::


Diz-se que aos construtores do Relógio de São Marcos foi retirada a visão para que alguma vez cedessem à tentação de replicar a obra-prima.

Só de pensar que um dia, sei lá porquê, perderia a visão ou a audição, me fosse impedido ver e ouvir relógios como os ilustrados, fico horas sem conseguir repousar, sem dormir...


22 comentários:

  1. ah... mas sem relógios o tempo estaria provavelmente sempre certo, não é? :)

    e lembro sempre esta citação:
    "o tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam... mas para os que amam, o tempo é eterno" - william shakespeare

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  2. Mais do que a eterna juventude, a imortalidade ou a eternidade o grande desejo do Homem sempre foi o de ser Omni.

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  3. Levantas questões que são talvez as maiores questões filosóficas e as mais fundas inquietações do homem: a eternidade, a imortalidade, o tempo...alguma vez encontraremos respostas satisfatórias?
    Dá "pano para mangas", este teu post!

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  4. O tempo é como a morte,nada podemos fazer contra...nem alterar...nem retardar...rigorosamente nada!!!

    Podemos iludir as rugas com cremes de rosto...plásticas,alimentação, exercício físico(deve-se fazer) etc...podemos iludir a morte,com máquinas para prolongar a vida...o respirar... mas temos consciência que nada é igual ao que era...ao que fomos...O fulgor da juventude apaga-se, extingue-se...

    Aproveitei o carnaval para me disfarçar...e me divertir.
    Bjs

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  5. Cuidado

    hoje toma posse

    o coiso

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  6. Não sei se gostei mais do texto ou dos relógios aqui expostos. Absolutamente maravilhosos!

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  7. meu amigo, que reflexão para os dias que vivo! Se ao menos pudesse seguir o conselho desse amigo!...
    Que belos relógios! Não conheço Praga («Praga, Budapeste, o mundo», como diria o Poeta), os outros já os olhei de frente...só não aprendi a lidar com o tempo.
    Beijo

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  8. Destaco do teu excedente post esta frase tão verdadeira:

    "O espaço é o sinal do nosso poder;
    O tempo é o sinal da nossa impotência."
    Sinto impotente por não saber ter tempo para dormir.
    Detesto relógios, são controladores (apesar destes serem magníficas obras de arte)
    Bjos

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  9. Ora aqui está um perfeito exemplo do que é um post bem elaborado: tem conteúdo, profundidade e um evidente bom gosto.

    Abraço

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  10. Oh JPD, obrigada...mas não era a minha intenção. Sabes que também sou «cota»...a hipermetropia já mora nos meus olhos.
    O tal livro vale a pena!
    Bj

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  11. Um post interessante que nos conduz inevitavelmente a uns momentos de reflexão. Com o passar do tempo, irreversível como todos nós sabemos, surge a saudade, a necessidade de rever, de revisitar ,se possível, espaços que nos deixam aquela marca indelével que nos leva a recordá-los na nossa conversa entre amigos e surge também a esperança,tempo futuro, de voltar ao mesmo lugar, às mesmas gentes, aos mesmos aromas, sabores e cores.

    Bem-hajas!

    Abraço fraterno

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  12. Campanários, torres e relógios, o tempo são tudo coordenadas que afectam o meu olhar e a minha audição.
    O tempo de Santo Agostnho é incontornável: "Memória, Percepção e Expectativa", não há palavras.
    Apesar da impotência em relação ao tempo, o relógio é inevitavelmente precioso... veja-se pelas suas fotografias magníficas.
    Bom gosto e originalidade!
    Abraço!:)

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  13. Vejo aqui, também a eternidade e a imortalidade... duas questões do tempo.

    Excelente, JPD

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  14. Já vi ao vivo os relógios de Praga e de Veneza.

    Do texto, fiquei muito agradada.

    >Um abraço.

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  15. Não podemos realmente parar o tempo, mas perder tempo a observar minuciosamente cada um destes relógios é uma preciosidade.....
    Só vi o de Veneza....Quem sabe não irei a Praga um dia destes?
    Obrigada pela visita...
    Beijos e abraços
    Marta

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  16. Olá gostaria que visita se meu blog que é dedicado a cultura. Espero que goste nele tenho uma coluna poética aos sábados ás 09 da manhã espero poder contar com sua visita.

    Sucesso em seu espaço.

    Magno Oliveira
    Twitter: @oliveirasmagno ou twitter/oliveirasmagno
    Telefone: 55 11 61903992
    E-mail oliveira_m_silva@hotmail.com

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  17. Praga é uma cidade fantástica de monumentos e eventos culturais.

    Saudações poéticas

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  18. "Lançada a moeda para o alto: eis o tempo que te resta"
    - essa é quase uma ameaça no poema de Age de Carvalho.
    Se nao podemos dominar o tempo pra que olhar tantos relógios? rs
    Gostei muito dessa publicação JPD e agarro-me com força trocando o pesnamento e dizendo que "o tempo é sinal do nosso poder" nunca da nossa impotência.
    Se ilusão, faz-me bem! rsrs
    Relógios é meu maior sonho de consumo, guardo-os em caixinha de veludo rs

    Obrigada te deixo abraços

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  19. Inadvertidamente, esta semana "copiei-lhe" a temática,JPD :)
    O tempo é sempre este pano de fundo oscilante entre um kronos impiedoso e um kairos que tanto queremos salvaguardar. E tantas vezes perdemos, impotentes, como bem diz.
    Magnífico exercício, JPD. Obrigada!

    Um abraço desde Braga.

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  20. Olá

    ...repetem o nosso tempo em cada badalada.

    Beijos.

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  21. Voltei.

    A foto foi tirada na Penha/Guimarães.

    Bjs.

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  22. Como sempre, caro JPD, as reflexões que suscitas ultrapassam largamente o limite dos comentários possíveis. Os relógios são tão fascinantes quanto o próprio tempo: prova material do imaterial e intangível. Em Portugal, há um pequeno tesouro dedicado aos relógios, e que provavelmente conheces: o museu do relógio em Serpa. Imperdível.
    De entre muitas, persiste em mim a velha mas inexorável asserção: 'nada é mais relativo do que o tempo'.
    Um abraço.

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