Um pastor chamado Gyges,
encontra por acaso uma caverna
onde jaz um cadáver que usa um anel.
Quando Gyges enfia o anel no dedo,
descobre que ele o torna invisível.
Sem ninguém para avaliar o comportamento,
Gyges passa a praticar más acções
-- seduz a rainha, mata o rei, etc.
Questão moral:
Algum homem seria capaz de resistir
à tentação do mal
se soubesse que os seus actos não seriam testemunhados?
(O Anel de Gyges, em «A República» de Platão
encontra por acaso uma caverna
onde jaz um cadáver que usa um anel.
Quando Gyges enfia o anel no dedo,
descobre que ele o torna invisível.
Sem ninguém para avaliar o comportamento,
Gyges passa a praticar más acções
-- seduz a rainha, mata o rei, etc.
Questão moral:
Algum homem seria capaz de resistir
à tentação do mal
se soubesse que os seus actos não seriam testemunhados?
(O Anel de Gyges, em «A República» de Platão
***
«(...)
Se tivesse permanecido livre, desconhecido e isolado, segundo os desígnios da natureza, nada mais teria feito senão o bem, porque o meu coração não contém as sementes da paixão danosa.
Se tivesse sido invisível e poderoso como Deus, teria sido bom e benéfico como Ele.
É a força e a liberdade que tornam os homens bons;a fraqueza e a escravidão nunca produziram nada senão malfeitores.
Se eu tivesse possuído o anel de Gyges, ele ter-me-ia concedido a independência face aos outros homens e tornado os outros homens dependentes de mim.
Muitas vezes me perguntei quando construo castelo no ar, como teria usado esse anel, porque, nessas circunstâncias, o poder deve ser seguido de perto pela tentação de abusar dele.
Capaz de satisfazer os meus desejos, de fazer tudo sem ser enganado por ninguém, o que poderia ter eu desejado de uma forma consistente?
Somente uma coisa: ver todos os corações satisfeitos; a visão da felicidade geral é a única coisa que me poderia ter concedido uma satisfação duradoura, e o desejo ardente de contribuir para ela seria a minha mais constante paixão.»
(Pg.234)
Fonte:
«A Filosofia Segundo Woody Allen»
Conrad, Mark T e Skoble, Acon L.
Ed. Estrelapolar
Se tivesse permanecido livre, desconhecido e isolado, segundo os desígnios da natureza, nada mais teria feito senão o bem, porque o meu coração não contém as sementes da paixão danosa.
Se tivesse sido invisível e poderoso como Deus, teria sido bom e benéfico como Ele.
É a força e a liberdade que tornam os homens bons;a fraqueza e a escravidão nunca produziram nada senão malfeitores.
Se eu tivesse possuído o anel de Gyges, ele ter-me-ia concedido a independência face aos outros homens e tornado os outros homens dependentes de mim.
Muitas vezes me perguntei quando construo castelo no ar, como teria usado esse anel, porque, nessas circunstâncias, o poder deve ser seguido de perto pela tentação de abusar dele.
Capaz de satisfazer os meus desejos, de fazer tudo sem ser enganado por ninguém, o que poderia ter eu desejado de uma forma consistente?
Somente uma coisa: ver todos os corações satisfeitos; a visão da felicidade geral é a única coisa que me poderia ter concedido uma satisfação duradoura, e o desejo ardente de contribuir para ela seria a minha mais constante paixão.»
(Pg.234)
Fonte:
«A Filosofia Segundo Woody Allen»
Conrad, Mark T e Skoble, Acon L.
Ed. Estrelapolar
Uma boa questão, a que aqui nos colocas. O bem e o mal são duas faces da vida e não há quem seja inteiramente bom nem quem seja inteiramente mau. No meu caso,em que reconheço muitos defeitos, sentir-me-ia muito feliz se vivesse num mundo mais igualitário, sem fome,com assistência na saúde para todos, com casa digna para todos, com trabalho...
ResponderEliminarOs mandantes do poder não pensam assim.Infelizmente! Há quem diga que o poder cega, cria monstros egocêntricos sem ética, anestesiados face à dor, à miséria e a todos os outros males que grassam pelo mundo.
Bem-hajas!
Abraço fraterno
Olá
ResponderEliminarAcho que o ser invisível e poder-se fazer tudo, deixa de haver interesse pela busca do desconhecido, do prazer, enfim de tudo...a vida tornar-se-ia monótona.
No entanto, por momentos, deveríamos poder sê-lo, para nos testarmos.
Bjs.
Aqui está uma coisa em que nunca tinha pensado. Quando eu era menina, minha avó sempre dizia que para saber se fazia asneira ou não devia pensar se gostaria que me fizessem o que eu pensava fazer. Se isso te trouxer alegria, podes fazer. Isso é bom. Se te der raiva só de pensar que alguém pode ter a ideia de fazer isso, não faças. Sempre me guiei por essa ideia,
ResponderEliminarUm abraço
Quando o poder é obscuro
ResponderEliminare todos têm escuridões
só um grito
pode estilhaçar a noite
mas terá de ser um grito uníssono
que por não ser fácil
alguns tentam clarificar
num vagaroso instante
Ah gostava de possuir esse anelzinho de Gyges !
ResponderEliminare ficar invisível, só pra nao ver tanta baixeza e insensatez!principalmente no mundo político.
Á esses sim provavelmente faria alguma justiça,rs
Com voce eu aprendo a filosofar JPD e gosto muito das ediçoes brilhantes e comentários idem.
Quando penso a respeito dos relacionamentos via blogs ou outras redes sociais me vem a frase do escritor Millôr Fernandes que disse "como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem." rs
Fica mais fácil nao JPD? distantes , separados por mares e nos entendemos todos ! rs
... já ando filosofando ( culpa sua)
um abraço , um ótimo dia
Não há nada de mais triste do que ser invisível para os outros.
ResponderEliminarBeijinhos
Verdinha
O poder da penumbra, da ausência de julgamento, do ser invisível...conhecimento lacónico, idealizado dos outros...
ResponderEliminarMeu amigo, com isso se constrói o mundo e se destrói, também.
Beijinho
O mito da invisibilidade há de manter-se até ao fim do homem, e nunca saberemos no que nos tornaríamos se alguma vez isso fosse possível...mas parece-me um pouco exagerada a ideia exposta no texto que citas! Creio que nas acções do homem está sempre latente a dialética do bem e o mal - alguma vês chegaremos à síntese, visíveis ou invisíveis?
ResponderEliminarA questão dava para um longo e interssante serão de conversa...
Há quem consiga resistir a essa tentação de fazer o mal, mesmo não sendo testemunhado, da mesma forma, que há quem insista no mal, sendo testemunhado. Acredito que sim. Filosofar sobre o que se faria nessa circunstância, é bem mais fácil do que ver-se com esse poder :)Não duvido das intenções nobres do Woody Allen... nem das minhas... (em tudo semelhantes às dele...), mas os meandros do comportamento humano têm variáveis incontroláveis. A impunidade que deriva da possibilidade de invisibilidade é um poder gigante e na realidade, ninguém pode ter a certeza do efeito desse poder, sem dele ter usufruído. :) beijo
ResponderEliminarbonzinho o Allen,eu não teria tão boas intenções...continua a ser um desafio: será que agiríamos bem se não fossemos castigados por agir mal? sócrates diria que o homem bom, o filósofo sim, penso que a questão não é tanto o poder mas a impunidade. invisíveis ainda seríamos sujeitos? sim, mas por outro lado não porque o rosto e o olhar do outro são parte importante da constituição do sujeito, nesse aspecto o desafio de Platão não é argumento seguro para a questão moral.se eu fosse invisível? primeiro procuraria satisfazer desejos vários e pueris, depois, a longo prazo contribuir para o bem estar geral parece-me bem.
ResponderEliminar